Ghostwriting é a prática de produzir conteúdos em nome de outra pessoa, a partir de suas ideias, experiências e validação. Na comunicação corporativa, é uma estratégia utilizada para ajudar CEOs, diretores e outros porta-vozes a transformarem seu repertório em artigos, posts, discursos e conteúdos assinados.

A necessidade é bastante comum: muitos executivos têm conhecimento de mercado, vivência profissional e opiniões relevantes, mas encontram dificuldades para transformar tudo isso em conteúdo. Falta tempo, familiaridade com a escrita ou mesmo clareza sobre quais temas merecem ganhar espaço público.

É nesse cenário que o ghostwriter, profissional especializado nesse tipo de produção, passa a apoiar as estratégias de Relações Públicas (RP) e posicionamento executivo.

 

O que faz um ghostwriter na comunicação corporativa?

O ghostwriter é responsável por traduzir o conhecimento de uma pessoa em conteúdos que preservem sua identidade, seu posicionamento e sua forma de se comunicar.

Seu trabalho envolve conduzir entrevistas, pesquisar informações, organizar argumentos, desenvolver narrativas e adequar a linguagem aos diferentes públicos e canais.

Na prática, o profissional pode apoiar a elaboração de artigos de opinião para veículos de imprensa, publicações no LinkedIn, discursos, roteiros de vídeo e outros materiais que serão assinados por executivos.

Mas escrever bem é apenas parte do trabalho. Para produzir conteúdos relevantes, é necessário conhecer a personalidade do porta-voz, seus interesses, suas experiências e os temas sobre os quais ele tem legitimidade para se posicionar.

“O mais importante é estudar o executivo e compreender sua personalidade, interesses e hábitos linguísticos. É preciso entender em profundidade como e sobre o que o líder fala, para que o material produzido seja autêntico”, comenta Sandra Bonani, diretora de Comunicação Integrada do Grupo Trama Reputale.

Sandra Bonani

Sandra Bonani, diretora de Comunicação Integrada do Grupo Trama Reputale

É essa escuta que permite construir uma comunicação coerente com a trajetória do executivo e com a reputação que ele representa.

 

Por que o ghostwriting é uma estratégia de Relações Públicas?

A reputação de uma empresa também é construída pelas pessoas que a representam. Quando um executivo compartilha análises relevantes, participa de debates do setor ou apresenta sua visão sobre o mercado, ajuda a fortalecer a percepção de autoridade da organização.

O ghostwriting contribui para esse processo ao transformar o conhecimento das lideranças em conteúdos que possam circular de maneira consistente.

Essa atuação se conecta ao conceito de Thought Leadership, ou liderança de pensamento: uma estratégia de posicionamento baseada na produção e circulação de ideias, análises e pontos de vista que demonstram conhecimento e contribuem para discussões relevantes do mercado.

No ambiente B2B, essa construção tem impacto direto na percepção das empresas. Segundo o 2024 B2B Thought Leadership Impact Report, da Edelman em parceria com o LinkedIn, 73% dos tomadores de decisão consideram conteúdos de liderança de pensamento uma base mais confiável para avaliar as competências de uma organização do que materiais tradicionais de marketing e fichas de produtos.

O dado reforça a importância de uma presença executiva que vá além da divulgação institucional.

“Uma tese desenvolvida pelo executivo, por exemplo, pode dar origem a um artigo de opinião, alimentar uma entrevista e gerar desdobramentos para o LinkedIn. A empresa ganha consistência na comunicação de seus temas estratégicos e amplia as oportunidades de participação de suas lideranças nas conversas do setor”, completa Sandra.

Por que o ghostwriting é uma estratégia de Relações Públicas?

Como funciona o trabalho de ghostwriting com executivos?

O processo começa muito antes da redação, uma vez que para que o conteúdo tenha qualidade e autenticidade, é necessário estabelecer uma rotina de escuta, planejamento e validação.

1. Identificação do território de autoridade

Quais assuntos o executivo domina? Que experiências pode compartilhar? Sobre quais temas sua visão pode contribuir para o mercado? Essas perguntas ajudam a definir uma agenda editorial alinhada à sua trajetória e aos objetivos da organização.

2. Entrevistas e captação de repertório

O ghostwriter conversa com o executivo para identificar experiências, argumentos, exemplos e opiniões. Também observa sua linguagem e a maneira como costuma se expressar.

3. Produção e adaptação dos conteúdos

Com base nesse repertório, o profissional organiza as ideias e desenvolve os materiais, considerando o público, o canal e a intenção de cada publicação.

4. Validação pelo porta-voz

Antes da publicação, o executivo precisa reconhecer suas ideias no conteúdo, confirmar as informações e aprovar os posicionamentos apresentados.

Uma prática que contribui para esse processo é a criação de um manual de voz, documento que reúne características da personalidade, estilo de linguagem, temas prioritários e públicos estratégicos da liderança.

Esse material ajuda a manter a coerência entre os diferentes conteúdos e profissionais envolvidos na comunicação.

 

Ghostwriting é ético? Como garantir autenticidade?

Sim! O ghostwriting é uma prática legítima de comunicação, desde que o conteúdo represente as ideias, o conhecimento e os posicionamentos de quem o assina.

É comum que os executivos contem com profissionais especializados para organizar discursos, preparar artigos ou estruturar mensagens públicas. O cuidado fundamental está em preservar a autoria intelectual e a responsabilidade da liderança sobre aquilo que comunica.

O risco surge quando um texto atribui ao executivo opiniões que ele não compartilha, experiências que não viveu ou conhecimentos que não consegue sustentar.

Por isso, a validação deve fazer parte do processo editorial. O profissional pode aperfeiçoar a linguagem, aprofundar argumentos e propor abordagens, mas o conteúdo precisa ser fiel à visão de quem o assina.

A credibilidade construída por uma liderança depende dessa coerência entre discurso, experiência e prática.

 

Quando sua empresa precisa investir em ghostwriting?

Alguns sinais ajudam a identificar quando essa estratégia pode fazer diferença:

  • Os executivos têm conhecimento, mas publicam pouco. Ideias importantes ficam restritas a reuniões, apresentações e conversas internas.
  • A falta de tempo compromete a produção. A rotina dificulta transformar experiências e análises em conteúdos consistentes.
  • A liderança tem dificuldade para organizar suas mensagens. Existe repertório, mas falta apoio para estruturá-lo de maneira clara e acessível.
  • A presença pública é pouco estratégica. As publicações acontecem sem uma agenda definida ou conexão com os objetivos reputacionais da empresa.
  • A organização quer fortalecer sua autoridade no setor. Há espaço para ampliar a participação dos porta-vozes em debates, artigos e oportunidades de imprensa.

Nessas situações, o ghostwriting pode ajudar a estabelecer uma produção editorial contínua, conectada à estratégia de comunicação e às prioridades do negócio.

 

Como transformar conhecimento executivo em reputação?

Boas ideias perdem oportunidades de gerar valor quando permanecem restritas aos ambientes internos da empresa.

O ghostwriting ajuda a colocar esse conhecimento em circulação, dando estrutura, clareza e consistência às mensagens dos executivos.

Para isso, precisa estar integrado a uma estratégia mais ampla de Relações Públicas, que considere os territórios de autoridade da organização, seus públicos prioritários e os canais mais relevantes para cada posicionamento.

O Grupo Trama Reputale apoia empresas na construção de estratégias de assessoria de imprensa, posicionamento executivo e liderança de pensamento, conectando o repertório de seus porta-vozes às conversas que importam para o mercado.

Sua empresa tem lideranças com conhecimento relevante, mas pouca presença pública? Vale conversar sobre como transformar esse repertório em uma agenda de conteúdos capaz de fortalecer a autoridade dos executivos e a reputação da organização.