A pandemia da Covid-19 transformou o mundo como um todo. Hábitos de consumo, valores e, o mais importante, uma conscientização social em relação a alguns temas discutidos há muitas gerações.

Divulgado recentemente, o relatório Culture Rising, sobre as tendências de 2022, explora alguns temas globais muito abordados nos últimos tempos. Entre eles, a Diversificação de Identidades.

Para falar sobre isso, é preciso entender que as pessoas se reconhecem e se afirmam de diversas maneiras. Isso faz com que elas criem identidades únicas, fluidas. E as recentes discussões sobre papéis de gênero, símbolos de gênero e linguagem neutra, refletem na evolução do gênero e, consequentemente, em como as marcas devem se posicionar e conversar com seus consumidores. 

Igualdade e fluidez de gênero

Uma pesquisa apresentada nesse relatório mostra que em muitos dos mercados analisados, as tendências de assuntos mais debatidos se concentram na igualdade de gênero, debate muito impulsionado pelos jovens (um quarto dos entrevistados da geração Z espera que a própria identidade de gênero mude pelo menos uma vez ao longo da vida).

E essa fusão dos gêneros aparece tanto na forma de pensar, como na linguagem falada e utilizada nas redes sociais.  Em português, sabemos que muitos já estão adotando a linguagem neutra substituindo “a” ou “o”, pelo “e”. Ou seja, ao invés de dizer todas ou todos, muitos dizem “todes”. Em inglês, as pessoas estão cada vez mais adotando (e debatendo) o uso do pronome “they” como um pronome de gênero neutro para um indivíduo não-binário. 

Além do binário, as discussões globais sobre a questão de gênero variam desde a igualdade até a fluidez do gênero. Abaixo estão as hashtags baseadas em dados globais do Instagram, de janeiro de 2020 a dezembro de 2021. Os tópicos de conversa são baseados em dados globais do Facebook, de julho de 2020 a setembro de 2021.

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E qual o papel das marcas?

Não basta entender do assunto. Não basta utilizar os pronomes adequados nas redes sociais, na comunicação. As marcas precisam começar a pensar em produtos com gênero neutro, como muitas já fazem em relação a roupas e maquiagens, por exemplo.

É necessário transformar o marketing para que se promovam conversas de forma igualitária. E além de conversar, observar como esse assunto está sendo tratado dentro da própria companhia. Há uma política de diversidade? Se sim, quanto ela abrange a questão de gêneros diversificados?

Hoje não se fala apenas de equidade entre homens e mulheres. Esse é um tema muito mais abrangente. Para compor um espaço com oportunidades iguais em termos de gênero, é preciso mudar a mentalidade interna. Da liderança, dos colaboradores, dos fornecedores e parceiros. É necessário construir diálogos, eventos, debates entre outras ações de inclusão, de informação.

E não se muda uma mentalidade sem questionar práticas internas, sem identificar e agir contra ações discriminatórias, sem propor, de fato, mudanças que beneficiem todos os gêneros. Sejam elas para colaboradores, clientes, consumidor final ou comunidade.

Importante ressaltar que não há mudanças sem um entendimento profundo sobre o assunto em questão. Sem dar voz àqueles que possuem propriedade para falar. Sem a escuta, não há transformação. E, hoje, é preciso ouvir. É preciso sentir as dores. Estar aberto às mudanças sociais, comportamentais e qualquer outra que dê espaço às pessoas que são, diariamente, apagadas pela sociedade conservadora.

Case de Comunicação Inclusiva

Recentemente a equipe de Comunicação Interna do Grupo Trama Reputale contribuiu com a construção do guia “Comunicação Inclusiva: como abraçar a diversidade, a igualdade e a pluralidade no seu dia a dia” de um dos clientes da casa, a Boehringer Ingelheim.

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Adriano Zanni, diretor de Engajamento e Comunicação com Empregados do Grupo, explica que

a comunicação inclusiva é um possível instrumento de transformação social. Já linguagem neutra reconhece a utilização de recursos comunicacionais diferentes da norma linguística, as vantagens e privilégios simbólicos que estruturam a nossa comunicação. Dialogar sobre esses conceitos, mostrar cases e exemplos e executar ativamente as pessoas a respeito é um processo natural de amadurecimento, que se bem trabalhado pode impactar no brand equity e nas questões de marca empregadora também. Mas o propósito maior deve ser sempre a causa!”

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Adriano Zanni, Diretor de Engajamento e Comunicação com Empregados do Grupo Trama Reputale