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Comunicação Interna 28.01.2020

Cinco tendências em Comunicação Interna para 2020

O ano já começou e diversas empresas aproveitam o período para investir no planejamento de comunicação interna para 2020. Se você também está nesse momento, separei aqui cinco tendências que vão nortear os projetos de CI das organizações. Fique de olho!

 

2020 já começou e diversas empresas aproveitam o início do ano para investir no planejamento de comunicação interna. Entre diversas abordagens, iniciativas viáveis e ideias inovadoras, muitas organizações sempre nos questionam sobre as tendências quanto aos projetos de CI.

Costumo dizer que as tendências para o ano em comunicação interna transitam em torno do estágio de maturidade em que a organização se encontra, tanto em termos de consolidação de sua cultura organizacional, quanto em relação à estratégia de negócio traçada para curto e médio prazos.

O importante a notar é que, hoje, no geral, temos um novo perfil profissional dentro das áreas de Comunicação e Recursos Humanos, muito mais analítico e estrategista, capaz de conectar cada projeto de comunicação interna aos desafios que a alta administração da empresa coloca.

 

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Nesse sentido, quero compartilhar com você, cinco tendências em comunicação interna para 2020. São ideias e projetos que vão desde o diagnóstico de comunicação, passando pela definição ou redefinição da matriz de canais, estruturação de planejamento e campanhas de endomarketing, até a implantação de uma comunicação interna cada vez mais digital dentro das organizações e com alto grau de personalização (redes sociais corporativas, Workplace, grupos de Whatsapp, chatbots, inteligência artificial são apenas algumas possibilidades). Vamos a elas?

 

  1. DIAGNOSTICAR E CONHECER A FUNDO O SEU PÚBLICO

Quer preparar sua liderança para inspirar e sua comunicação interna engajar? Então, conheça mais a fundo o que pensam os colaboradores de sua empresa.

Foi-se o tempo em que um bom e efetivo planejamento de comunicação interna começava por um briefing de imersão, sendo finalizado por um documento construído, única e exclusivamente, pela agência contratada, o qual muitas vezes, quando apresentado, não fazia tanto sentido às lideranças, que pouco enxergavam conexão com a estratégia de negócios.

Com o RH cada vez mais estratégico no dia a dia, as empresas passaram a adotar uma metodologia de coconstrução para esse planejamento de CI, cujo início é um amplo e aprofundado diagnóstico não apenas acerca dos canais de comunicação interna vigentes, mas também sobre os hábitos de leitura e consumo de informação dos colaboradores em tempos digitais, seus anseios por conexão às estratégias de negócios e aos pilares da cultura organizacional.

Esse diagnóstico de comunicação interna é fundamental para um bom planejamento da área e pode envolver uma pesquisa quantitativa com os empregados, via Survey Monkey, ou outra plataforma digital, além de entrevistas (pesquisa qualitativa) com todas as lideranças de área, setores estratégicos da organização e um focus group com colaboradores em geral que demandem a área de Comunicação Interna ou Recursos Humanos cotidianamente, considerados também verdadeiros influenciadores, multiplicadores ou lideranças informais.

Um bom planejamento de comunicação interna passa por aí e incluo, ainda, o Design Thinking

De posse desse diagnóstico, temos visto as empresas partirem para o desenvolvimento de workshops com uso de design thinking, onde são coconstruídas as mensagens-chave que serão utilizadas na Comunicação Interna, devidamente alinhadas e validades por pilar, key-driver ou valor da cultura organizacional. E mais: nesse workshop é possível, também, coconstruir um mapa de stakeholders da comunicação interna, definindo as personas que serão abordadas, uma vez que é preciso segmentar os canais existentes.

Lembre-se disso: a segmentação é a grande palavra de ordem.

Nem todos precisam receber tudo, ao mesmo tempo. É preciso qualificar as mensagens-chave internas e distribuí-las por canal, de acordo com frequência, periodicidade e formatos específicos.

Exemplo: antes de definir que a área operacional de sua empresa precisa de um jornal mural, que tal mensurar os hábitos de consumo e informação desse público em tempos digitais? Será que eles não preferem vídeos, podcasts, mensagens por aplicativos em vez de verem retratados apenas nas lâminas de um mural?

 

 

  1. COLABORADORES COMO INFLUENCIADORES: ESTIMULAR O PROTAGONISMO AUTORAL

Outra tendência muito interessante é tornar os empregados verdadeiros influenciadores dentro da organização.

Mapeando profissionais com habilidade comunicacional ou maior interesse por projetos da área, é possível treiná-los de modo a usar o seu poder de influência sobre os demais colegas, ou mesmo convidá-los a exercer ainda mais o espírito de liderança, fazendo com que se tornem multiplicadores de comunicação interna.

Tudo parte também do hábito diário que todos temos de compartilhar, produzir e replicar conteúdos em plataformas digitais, seja nas nossas redes sociais, ou em aplicativos específicos. Então, por que não utilizar essa comunicação digital já exercida por todos em sua vida pessoal em favor também da comunicação interna? É mais simples do que parece.

A estratégia passa primeiramente pela formatação dos canais de comunicação interna digitais de sua empresa, como os grupos de Whatsapp, a intranet, o Share Point e o Yammer (do pacote MS Office) e, mais recentemente, o Workplace, desenvolvendo uma gestão e curadoria de conteúdo adequadas para eles.

Em um primeiro momento, você pode optar pela centralização da produção de conteúdo nas áreas de Comunicação Interna e Recursos Humanos. Mas lembre-se que para o sucesso futuro da iniciativa, é fundamental empoderar os colaboradores, pedindo que produzam e compartilhem conteúdos nesses ambientes, dando autonomia para grupos de empregados atuarem nessa mediação e reconhecendo esses multiplicadores de comunicação interna por suas importantes contribuições nos canais.

Mais do que capacitar os multiplicadores sobre o uso de ferramentas digitais na comunicação interna, é preciso treiná-los também quanto ao uso das mensagens-chave internas definidas no planejamento, disseminado conceitos importantes sobre temas gerais como: comunicação não-violenta, fake news na comunicação interna, rádio-peão, engajamento, clima organizacional, o uso de vídeos e podcasts na comunicação interna, entre outros. E tudo isso deve ser feito de maneira sistematizada e rotineira, quer um exemplo?

Agentes de Comunicação na AB Brasil

Na AB Brasil, empresa do setor alimentício industrial e cliente da Trama em comunicação interna desde 2017, a implantação dos comitês de multiplicadores (ou agentes de comunicação) está a todo vapor.

Mensalmente, nos reunimos com os multiplicadores de todas as unidades da empresa para realizar treinamentos, ouvir suas sugestões, acolher pautas de comunicação interna e também realizar lições de casa, focadas na metodologia 70-20-10. A cada encontro, tornamos esses multiplicadores ainda mais protagonistas na comunicação interna!

O incentivo ao uso das ferramentas digitais

Elas podem colaborar, e muito, em projetos de employer branding (marca empregadora) e EVP.

Grupos de Whatsapp são importantes aliados no compartilhamento de informações entre os comitês e para gerar uma comunicação mais ágil, em tempo real e que demanda engajamento. Mas não podemos nos esquecer também de alimentar a intranet, Share Point, Yammer ou outros canais digitais. A estratégia sobre o todo revela-se efetiva e totalmente mensurável.

Face-to-Face

Lembre-se sempre: é a comunicação human-to-human a grande bola da vez, o regresso ao famoso “face-to-face”, uma comunicação interna feita de pessoas para pessoas, e por elas. O que faz claramente os colaboradores de uma organização mudarem suas atitudes ou transformarem condutas, em primeiro lugar, é uma comunicação crível. Depois, uma comunicação encorajadora. E por fim, uma comunicação que emocione! E os influenciadores têm papel fundamental nisso.

 

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  1. VÍDEOS DE COMUNICAÇÃO INTERNA: PARA TUDO E PARA TODOS

Se tem um formato que agrada da mais alta liderança aos colaboradores da área operacional das empresas, ele atende pelo nome de vídeo!

Os vídeos humanizam as narrativas, colocando o empregado no centro da comunicação interna, estimulam o protagonismo, o senso de pertencimento e o orgulho de fazer parte de uma organização que dá vez e voz ao seu jeito de ser.

Com uma linguagem simples, direta ao ponto, mais coloquial, o vídeo também permite que o conteúdo viralize nas redes sociais da empresa, podendo inclusive ser compartilhado em plataformas com LinkedIn, Instagram e Facebook, o que ajuda na retenção de talentos e na atração de novos profissionais.

A liderança da empresa também se torna mais próxima ao gravar vídeos para comunicar estratégias de negócios ou valores organizacionais. Na CHS, empresa norte-americana do agronegócio e cliente de comunicação interna da Trama desde 2014, criamos um projeto batizado como “Você Sabia?”, no qual colaboradores de todas as unidades podem gravar pequenos vídeos pelo celular e enviar para os canais de comunicação interna da empresa, sendo compartilhados no Share Point (intranet) ou via Grupos de Whatsapp.

Há diversos tipos de vídeos enviados: sobre treinamentos que aconteceram, contratação de novos funcionários, metas e desafios de áreas, eventos da liderança, celebrações e programas de reconhecimento etc. Tudo colabora para uma comunicação integrada, afinal é muito mais fácil narrar detalhes sobre um projeto que está acontecendo por vídeo do que tentar retratá-lo por e-mail marketing ou em uma matéria da intranet.

Números e Justificativas sobre Vídeos em Comunicação Interna:

  • O Youtube, maior repositório de vídeos da internet, tem 1 bilhão de usuários ativos todos os meses, com um consumo médio de 2 milhões de visualizações por minuto. Vídeos são, hoje, a maior fonte de tráfego em mídias sociais.
  • O vídeo se consolida cada dia mais como um dos conteúdos que mais engajam na web. No início do ano, a Cisco disponibilizou um relatório mostrando que, até 2020, os vídeos serão responsáveis por 82% de todo o tráfego de usuários na internet. Isso mesmo, 82%! Ainda segundo o relatório, os números já eram impressionantes em 2015, girando em torno de 70%.

 

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  1. DIVERSIDADE E INCLUSÃO: UM TEMA QUE NUNCA SAI DA PAUTA

Muitas marcas já enxergaram que investir em políticas e programas de diversidade ajuda na construção de imagem e reputação. Mais que isso: agrega valor para suas relações comerciais, em médio prazo. Tudo isso além de melhorar o clima organizacional, diminuindo o turnover, o absenteísmo, e facilitando as competências de inovação e a resolução de conflitos.

Hoje, 91% das empresas listadas na Fortune 500 possuem Políticas sobre Diversidade e Inclusão. Sendo que 75% dos CEOs brasileiros, segundo uma pesquisa da McKinsey, adotam uma estratégia para o tema.

Uma Comunicação Interna estratégica precisa estar voltada para a promoção de políticas inclusivas nas organizações, reconhecendo a trajetória de pessoas que podem inspirar pelo exemplo, capacitando lideranças a respeito do assunto e também auxiliando na adoção e propagação de iniciativas de responsabilidade social e/ou voluntariado que ampliem horizontes.

E por onde começar?

O trabalho têm início com um diagnóstico acerca dos clusters de diversidade abrangidos atualmente pela empresa. Depois disso, partimos para estruturar os pilares do programa, abordando as questões representativas de cada segmento.

É muito importante criar uma escuta ativa e espaço de fala para que os colaboradores representantes desses segmentos possam auxiliar na estruturação não apenas das políticas, mas também nas abordagens de comunicação interna sobre os temas. Tudo precisa fazer sentido a eles. Do contrário, o engajamento não será satisfatório.

Comitê de Diversidade na Univar Solutions

Com cerca de 450 colaboradores, distribuídos nas unidades de Osasco e Paulínia, em São Paulo, a Univar decidiu, em 2019, estruturar seu Comitê de Diversidade e Inclusão, abordando as questões de gênero, LGBTQ+, PCDs e etnia.

As reuniões do comitê central acontecem mensalmente e com base no mapeamento de influenciadores internos sobre o tema foram estruturados grupos de trabalho para cada um dos pilares de diversidade, que possuem autonomia para empreender iniciativas próprias, desde que devidamente alinhadas com as áreas de Recursos Humanos e Comunicação Interna.

Aqui na Trama, trabalhamos o planejamento das campanhas de endomarketing, parcerias com consultores e também os treinamentos específicos a respeito de como abordar a diversidade e a inclusão no dia a dia da empresa. Aqui, mais uma vez, a cocriação é fundamental!

 

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  1. APOSTE NAS CAUSAS

A Comunicação Interna precisa cada vez mais olhar para o marketing de causa como plataforma de engajamento de colaboradores. Empreender ações de voluntariado, responsabilidade social ou meio ambiente fazem sentido se atreladas a uma causa que se conecte com o propósito da organização.

Não adianta mais captar projetos apenas via Lei Rouanet ou outros mecanismos de incentivo, se as inciativas não estiverem linkadas à própria existência da empresa.

Colaboradores tendem a permanecer mais conectados às marcas nas quais visualizem lastros, ou seja, um discurso se que conecte à entrega feita, uma promessa que realmente desdobre consequências positivas para toda a sociedade.

Temos visto diversas plataformas em nossos clientes onde os próprios colaboradores deles são motivados a indicar projetos que conheçam e nos quais enxerguem pontos de conexão para as ações de voluntariado previstas, ao longo do ano, pela organização. É uma forma de trazer as pessoas mais para perto das causas e desenvolver o accountability nelas. Um termo sem tradução do Inglês para o Português, mas que pode ser entendido como “compromisso, proatividade e transparência” com as próprias ações, sem delegar a responsabilidade sobre elas para o outro.

As ações de comunicação interna ligadas a causas e a ações de voluntariado ajudam no desenvolvimento do senso de responsabilidade, da autonomia e do protagonismo, o que se reverte no amadurecimento profissional, da própria carreira e ainda auxilia a mapear futuras lideranças dentro da organização.

É possível tematizar várias campanhas de endomarketing por exemplo, e, datas comemorativas (como o Dia da Mulher, da Consciência Negra, do Meio Ambiente e outras) incluindo ações de experiência ligadas a projetos da sociedade civil e explicando para cada colaborador o sentido disso tudo.

Mais novamente reforçamos: é preciso haver conexão com o propósito para que tudo não passe apenas de um projeto alheio, avulso. E isso exige reflexões das lideranças, alinhamento do discurso corporativo em torno do eixo e muita escuta ativa. A partir daí, pode causar à vontade!

 

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    Paula Dianezi

    Muito bom o seu conteúdo. Está me ajudando bastante. Obrigada!

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