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Comunicação Corporativa 07.10.2020

O mês das crianças está aí para lembrar: se divertir é coisa muito séria!

Este mês das crianças, como tudo mais neste 2020, será diferente em diversos os aspectos. A data, 12 de outubro, praticamente marca os sete meses do início da necessidade de isolamento em função da pandemia ocasionada pela Covid-19.

Em meio a polêmicas sobre a volta às atividades escolares presenciais – ao menos nas escolas particulares – a “questão das crianças” é mais uma peça em um complicado cenário de preocupação com a saúde mental e a qualidade de vida de funcionários e familiares por parte das organizações.

Para contar um pouco da sua experiência, convidamos para um bate-papo, o Thiago Sanchez, dono do Grupo Curumim, empresa com 22 anos de trajetória e uma das líderes no mercado de recreação infantil em São Paulo.

 

O Impacto da Pandemia no Setor

 

O mercado de recreação infantil experimentou a mesma história tantos outros segmentos. “No início da pandemia, o impacto foi simplesmente desastroso. Saímos de uma média de 450 eventos por mês para praticamente zero muito rapidamente, e o cenário não mudou por pelo menos dois meses. Em julho, as coisas começaram a mudar”, lembra Thiago.

E as mudanças não vieram num passe mágica, conta. “Foi necessário um esforço muito grande de readequação. Tivemos que nos reinventar, transformando uma experiência essencialmente vivencial para o online.”

Mas os resultados vieram em seguida e o modelo digital emplacou, dando origem, inclusive, a novas modalidades de negócios e, também, novos produtos. A crise gerada pela pandemia, em um segundo momento, gerou uma nova onda de demandas por parte das organizações.

 

Entretenimento como Antídoto

 

Tão logo o mercado voltou a aquecer, Thiago percebeu que as mudanças não parariam por aí:

 

“houve uma mudança de direcionamento absurda! As áreas corporativas, geralmente conduzidas pelo RH, passaram a trazem agora um cenário que vai muito além do entretenimento”. Entrou em cena a preocupação com a saúde mental, tanto de profissionais quanto dos seus familiares. Começava a se confirmar, dentro das empresas, um quadro de esgotamento, tanto pelo excesso de trabalho quanto pela isolamento em relação à família.

 

Para o Curumim, o briefing que antes era basicamente entreter a criançada, se tornou um desafio dos mais importantes. Segundo Thiago, hoje, as empresas pedem “soluções” que promovam, mesmo que por algumas horas, uma experiência de aproximação, que una pais e filhos nas mesmas atividades. O que antes era uma exceção, virou necessidade.

Agora em outubro foi tirada a prova dos nove: e a adequação para o modelo online superou as previsões mais otimistas. “A demanda está sendo bem maior que a gente”.

 

Lição de Casa

 

O isolamento impôs em muitas casas o inédito convívio ininterrupto de pais e filhos, revelando “limitações de repertório” e gerando uma fadigo sem precedentes, para a qual não estávamos preparados. As reflexões reverberaram nas organizações, exigindo respostas à altura.

Thiago dá o exemplo de como muitas delas passaram a acionar o Curumim quase que como uma consultoria. “Desenvolvemos uma de guias, alguns com até 10 páginas, com orientações, dicas e manuais de atividades lúdicas e oficinas manuais, que ensinam a brincar aproveitando materiais que temos à mão, enviados às casas dos funcionários para que executem a atividade junto aos filhos”, aponta.

Este outubro vem sendo a prova dos nove e a adequação para o modelo online superou as previsões mais otimistas. “A demanda está sendo bem maior que a gente esperava, acredito que justamente por conta desta preocupação das organizações com a saúde mental e a qualidade de vida dos funcionários”, analisa Thiago.

 

Dia de Visita (em casa)

 

Os “dias de visitas”, tradicional ação de outubro, quando a criançada invade os escritórios de papais e mamães, foram totalmente inviabilizados. No lugar, são as empresa que estão indo à casa deles.

Tendo os times de comunicação à frente, as iniciativas de recreação cresceram em peso simbólico, assumindo um papel estratégico no relacionamento com os públicos internos.

 

Segundo Thiago, aumentou a preocupação, ao desenvolver uma contação de história, por exemplo, com o alinhamento aos valores organizacionais ou a um determinado conceito. “Estamos conseguimos levar de forma lúdica um pouco do que é trabalho do pai e da mãe para muitos filhos que não sabem com eles trabalham.”

 

Tempo ao seu Lado

 

Para o empresário, existe uma “crise de repertório” assolando os pais. São gerações que cresceram sob uma educação eletrônica, pela TV e, nas últimas décadas, pela internet. Thiago sugere aproveitar o momento para uma repactuação com a própria rotina e com a da família, um esforço de “reaprender a brincar, agora, com os filhos, se apoiando mais em brincadeiras dentro de uma lógica pedagógica, abusando das atividades manuais e tentando sair um pouco do campo da tecnologia”.

O lúdico, a educação e a saúde mental andas juntos e a atual crise nos mostra que precisamos repensar escolhas. Vale para todos, não apenas para a relação com os filhos.

Citando a corrida para cursos profissionais impulsionada pela sensação de que teríamos tempo de sobra, no início da pandemia, Thiago deixa uma reflexão valiosa: será que não é momento de investirmos mais tempo em aprender um instrumento, fazer aulas de relaxamento, respiração, dança ou reservar um momento para atividades como jogos de tabuleiro ou de montar, em família?

“Acredito muito que o momento pede que a gente busque atividades mais leves, que ativem senso motor, criatividade e que nos tragam puro prazer”, recomenda.

 

 

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