A Geração Z no trabalho chegou às empresas com outras referências de tecnologia, relacionamento, carreira, aprendizagem e acesso à informação. Para a Comunicação Interna, isso levanta uma questão prática: os canais, mensagens e experiências oferecidos pelas organizações continuam funcionando para quem está do outro lado?
Esse movimento também ajuda a evidenciar problemas que já existiam. Comunicados difíceis de entender, excesso de canais, pesquisas sem devolutiva, pouca transparência e gestores que apenas encaminham mensagens incomodam profissionais de diferentes idades.
Por isso, entender a Geração Z pode ser uma boa oportunidade para olhar para a experiência de comunicação da empresa inteira.
Como é a Geração Z no trabalho?
Falar sobre Geração Z exige cuidado para não transformar milhões de pessoas em uma lista pronta de comportamentos.
A idade influencia repertórios, hábitos e expectativas, mas não explica sozinha como alguém prefere receber informações, relacionar-se com uma liderança ou construir carreira. Ainda assim, pesquisas ajudam a identificar movimentos que merecem atenção.
Segundo a Gen Z & Millennial Survey 2026, da Deloitte:
- 81% da Geração Z brasileira afirmam que ter um amigo no trabalho aumenta sua felicidade;
- enquanto 57% apontam a falta de reconhecimento como um fator de pressão ou ansiedade.;
- A pesquisa também mostra que 87% já utilizam inteligência artificial no cotidiano profissional.
Cerca de 60% dos respondentes brasileiros buscam progresso constante na carreira, embora somente uma parcela pequena coloque chegar à liderança como principal objetivo.
Para RH e Comunicação Interna, surgem perguntas bem concretas: os colaboradores entendem como podem se desenvolver? Recebem reconhecimento? Sabem onde buscar informação? Entendem as decisões que afetam sua rotina? Existem orientações claras sobre novas tecnologias?
É nesse ponto que o debate geracional começa a gerar decisões práticas.

Por que a Comunicação Interna precisa entender a Geração Z no trabalho?
As empresas já convivem com uma realidade bastante diversa. Uma pesquisa da Serasa Experian com 1.526 profissionais aponta que até cinco gerações podem compartilhar hoje o ambiente corporativo: Baby Boomers, Geração X, Millennials, Geração Z e a emergente Geração Alpha.
Apesar das diferenças de prioridades, o levantamento encontrou um ponto de convergência na expectativa por lideranças capazes de acolher diferenças e criar ambientes seguros.
Entre os profissionais da Geração Z, a pesquisa destaca a importância de orientação clara, acolhimento e oportunidades de aprendizagem.
A convivência multigeracional, portanto, exige que a comunicação consiga considerar diferentes momentos de carreira e formas de interpretar a mesma mensagem.
Uma empresa pode ter intranet, aplicativo, newsletter, Teams, WhatsApp, TVs corporativas e campanhas bem produzidas e, ainda assim, enfrentar ruído ou baixa participação.
“Conhecer os públicos, organizar os canais e preparar lideranças para conversar com equipes diversas passa a ser parte importante da estratégia”, comenta Sandra Bonani, diretora de Comunicação Integrada do Grupo Trama Reputale.

Sandra Bonani, diretora de Comunicação Integrada do Grupo Trama Reputale
Quais sinais mostram que a sua Comunicação Interna está desalinhada com a Geração Z?
1. Toda informação importante depende do e-mail
O e-mail continua tendo uma função importante dentro das empresas. A dificuldade aparece quando qualquer mensagem, independentemente de urgência, assunto ou público, recebe exatamente o mesmo tratamento.
Uma estratégia de canais precisa considerar contexto e rotina. Informações críticas podem exigir reforços, enquanto conteúdos mais complexos podem funcionar melhor em formatos complementares.
Antes de abrir uma nova plataforma, vale entender o papel de cada canal que já existe.
2. O comunicado parece ter sido escrito para um contrato
“Prezados colaboradores, informamos que, a partir da presente data…”
Se a frase parece familiar demais, atenção.
Adaptar a linguagem da Comunicação Interna envolve escrever com clareza, contexto e naturalidade. Também vale evitar o extremo oposto: transformar qualquer mensagem em “Fala, galera!” apenas porque existem jovens entre os destinatários.
Profissionais da Geração Z continuam sendo profissionais. A proximidade precisa soar natural para a cultura da empresa.

3. A empresa pede opinião, mas ninguém sabe o que aconteceu depois
Pesquisas, enquetes, caixas de sugestões e rodas de conversa criam expectativa de retorno.
Quando os colaboradores participam e nunca descobrem o que aconteceu com aquela contribuição, a próxima iniciativa de escuta pode encontrar menos disposição.
Uma boa prática é fechar o ciclo: ouvir, analisar, compartilhar os principais aprendizados e explicar o que será feito, inclusive quando determinada sugestão não puder avançar.
4. Feedback ainda é sinônimo de avaliação anual
A falta de reconhecimento aparece entre os fatores de pressão ou ansiedade citados por 57% da Geração Z brasileira na pesquisa da Deloitte.
Esse dado também chama atenção para a atuação das lideranças. Pessoas precisam compreender expectativas, perceber avanços e saber onde podem melhorar.
“A Comunicação Interna pode apoiar gestores com orientações, conteúdos e ferramentas para tornar essas conversas mais frequentes ao longo da jornada”, comenta Sandra.
5. Os colaboradores recebem mensagens demais e contexto de menos
E-mail. Teams. WhatsApp. Aplicativo. Intranet. Newsletter. Notificação.
No recorte global da pesquisa da Deloitte, 58% da Geração Z relatam fadiga digital relacionada a alertas constantes, alternância entre ferramentas e múltiplas plataformas.
A multiplicação de canais pede governança. Cada ambiente precisa ter uma função compreensível, evitando duplicidade e competição permanente pela atenção.
Um diagnóstico ajuda a identificar onde existe sobreposição, quais canais realmente fazem parte da rotina e que tipo de informação funciona melhor em cada um.
6. O propósito aparece muito na campanha e pouco na rotina
Valores corporativos ganham força quando os colaboradores conseguem reconhecê-los nas decisões da empresa, nos comportamentos das lideranças e na própria experiência de trabalho.
O Workmonitor 2025, da Randstad, mostra o peso dessa coerência. No recorte brasileiro, 77% afirmam que seus valores e propósitos sociais e ambientais estão alinhados aos de seus empregadores, enquanto 56% dizem que não aceitariam um emprego em uma organização cujos valores não estivessem alinhados aos próprios.
Para Comunicação Interna, isso significa dar concretude ao discurso. Se a organização afirma valorizar colaboração, inovação, diversidade ou respeito, vale mostrar como esses princípios aparecem em projetos, políticas, escolhas e atitudes das lideranças.
7. A liderança entende comunicação como “repassar”
Encaminhar um comunicado no grupo da equipe dificilmente encerra a participação de uma liderança na comunicação.
Mudanças, decisões estratégicas e temas sensíveis precisam de contexto. O gestor ajuda as pessoas a entender o impacto daquela informação, quais dúvidas permanecem e o que acontecerá a seguir.
A pesquisa da Serasa Experian reforça essa responsabilidade. Entre as ações consideradas mais eficazes para melhorar a saúde mental no trabalho, 45,9% dos profissionais apontaram a capacitação de gestores para conversas abertas sobre bem-estar.
Preparar lideranças para conversar com públicos diversos precisa fazer parte da estratégia de CI.
8. Para parecer jovem, a marca começou a falar como um perfil de memes
Memes, vídeos curtos, TikTok e referências da cultura digital podem funcionar muito bem quando existe familiaridade real com essas linguagens.
A tentativa automática de reproduzir uma tendência porque parte do público é jovem pode produzir justamente o afastamento que a empresa queria evitar.
A educomunicadora e pesquisadora de histórias em quadrinhos, gênero, sexualidades e educação Natália Sierpinski chama atenção para esse risco:
“Um pesquisador que eu gosto muito é o Douglas Calixto, que fez um estudo de como podemos usar os memes voltados para a educação. Aí ele diz que se você não entende o que é um meme, se você não se apropria, se você não tem referências, você não vai conseguir usar essa linguagem como uma forma de se aproximar desses jovens e comunicar algo para eles. Então, ao mesmo tempo que essas linguagens atuais (TikTok, Instagram) são muito bacanas para fazer essa aproximação, usar essas linguagens sem conhecer elas a fundo, sem ter de fato experimentado pode acabar afastando, porque eles percebem que você não se apropriou da ferramenta e você perde a credibilidade.”

Natália Sierpinski, educomunicadora
Para CI, fica uma orientação prática: linguagem precisa combinar com a cultura da organização e fazer sentido para quem produz e recebe a mensagem.
9. A empresa fala sobre pertencimento, mas o trabalho parece solitário
Entre trabalhadores da Geração Z, 44% apontam características de isolamento ou impessoalidade na cultura de trabalho como algo que prejudica sua conexão com a organização, segundo a Employee Engagement Strategies for 2026 da Gallup.
Comunicação Interna pode ajudar criando oportunidades para que as pessoas conheçam projetos, colegas, comunidades e histórias que normalmente ficariam restritas a determinadas áreas.
Esse cuidado ganha ainda mais importância em rotinas híbridas, distribuídas ou com públicos operacionais distantes dos escritórios corporativos.
10. Ninguém sabe explicar como crescer dentro da empresa
Carreira também passa por acesso à informação.
Se oportunidades internas, critérios de desenvolvimento, processos de mobilidade e programas de aprendizagem existem, mas poucas pessoas conseguem encontrá-los ou compreendê-los, há uma barreira de comunicação.
Organizar essa jornada permite que o colaborador enxergue possibilidades e tome decisões de carreira com mais informação.
11. A IA já chegou ao trabalho, mas a orientação ainda não
Com 87% da Geração Z brasileira usando IA no cotidiano profissional, segundo a Deloitte, muitas organizações convivem com uma mudança de comportamento que já começou.
RH e Comunicação Interna podem transformar dúvidas dispersas em orientações claras: quais ferramentas podem ser utilizadas, quais cuidados são necessários, onde encontrar capacitação e como a empresa espera que a tecnologia faça parte da rotina.
Quando faltam referências institucionais, cada pessoa tende a construir seus próprios critérios.
Leia também: IA no trabalho: a Comunicação Interna está preparada para essa mudança?

12. Toda conversa sobre Geração Z começa com “eles são…”
“Eles não leem.”
“Eles não querem ser líderes.”
“Eles não têm paciência.”
“Eles trocam de emprego por qualquer coisa.”
Frases assim tornam simples demais uma realidade diversa.
Uma boa segmentação de públicos internos pode considerar idade, mas precisa observar também área, função, localização, senioridade, acesso aos canais e comportamento.
A pesquisa da Serasa Experian ajuda a colocar essa discussão em perspectiva: gerações diferentes possuem prioridades próprias, mas também compartilham demandas relacionadas a diálogo, liderança e ambiente de trabalho.
Como a Comunicação Interna pode engajar a Geração Z?
Engajar a Geração Z exige entender como as pessoas vivem a empresa e quais barreiras dificultam informação, participação e relacionamento.
Na prática, isso pode envolver diagnóstico de canais, segmentação de públicos, conteúdos mais claros, fortalecimento da comunicação das lideranças, escuta com devolutiva, visibilidade para oportunidades de desenvolvimento e regras para reduzir o excesso de mensagens.
Essas melhorias também beneficiam millennials, Geração X, baby boomers e qualquer profissional que não queira perder dez minutos tentando entender um comunicado de três parágrafos.

A Geração Z pode estar fazendo perguntas que outros colaboradores deixaram de fazer
Quando um profissional mais jovem pergunta por que existem tantos canais, por que determinada decisão nunca foi explicada ou o que aconteceu com uma pesquisa interna, pode estar verbalizando uma frustração que outras pessoas simplesmente deixaram de expressar.
Esse é um dos aprendizados mais interessantes da discussão sobre Geração Z no trabalho: as mudanças geracionais podem funcionar como um estímulo para revisar práticas de comunicação que foram naturalizadas ao longo dos anos.
E há um dado importante por trás disso. A pesquisa da Serasa Experian mostra que diferentes gerações já convivem dentro das mesmas equipes e, apesar das diferenças, encontram pontos de convergência. Uma Comunicação Interna preparada para esse cenário precisa conhecer melhor seus públicos e criar condições para que a informação faça sentido em diferentes jornadas.
Se a sua empresa também está fazendo esse diagnóstico, podemos trocar referências. O Grupo Trama Reputale acompanha organizações em diferentes desafios de Comunicação Interna e pode compartilhar benchmarks e aprendizados dessa atuação em uma conversa sem compromisso.
FAQ: Geração Z no trabalho e Comunicação Interna
Como a Comunicação Interna pode ajudar a engajar a Geração Z no trabalho?
A Comunicação Interna ajuda a engajar a Geração Z quando organiza melhor os canais, adapta a linguagem sem recorrer a estereótipos, fortalece a comunicação das lideranças e cria ciclos de escuta com devolutiva. Também pode dar mais visibilidade a oportunidades de desenvolvimento, reconhecimento, cultura e uso de novas tecnologias.
O ponto de partida deve ser entender como os colaboradores realmente se informam e vivem a empresa.
Como trabalhar a Comunicação Interna?
Trabalhar a Comunicação Interna para engajar a Geração Z exige entender como esse público se informa, participa e se relaciona com a empresa, sem cair em estereótipos geracionais.
O Grupo Trama Reputale pode apoiar esse processo com diagnóstico de canais, planejamento de comunicação, revisão de linguagem, campanhas de engajamento, escuta dos colaboradores e fortalecimento da comunicação das lideranças. A partir dessa leitura, a empresa consegue organizar melhor suas mensagens, reduzir ruídos e criar uma experiência de comunicação mais relevante para a Geração Z e para os demais públicos internos.
Quais canais funcionam melhor para a Geração Z?
Não existe um canal universal para a Geração Z. A escolha deve considerar rotina, função, acesso, tipo de informação e hábitos observados na própria empresa. Um diagnóstico de canais oferece uma base mais consistente do que presumir preferências apenas pela idade.
A Geração Z realmente não lê e-mails e comunicados?
Os dados utilizados neste conteúdo não sustentam essa generalização. Relevância, linguagem, tamanho, contexto, momento e escolha do canal influenciam a leitura e o engajamento dos diferentes públicos.
Como dar feedback para profissionais da Geração Z?
Feedback precisa ser claro, frequente e conectado ao desenvolvimento. Gestores também precisam explicar expectativas, reconhecer avanços e orientar próximos passos ao longo da jornada profissional.
Como melhorar a comunicação interna entre diferentes gerações no trabalho?
Comece pelas necessidades reais dos públicos internos. Idade pode ser um dos critérios de análise, junto a função, localização, senioridade, acesso digital, momento de carreira e comportamento nos canais.