Blog

EHS-nas-empresas
Comunicação Corporativa 01.04.2021

A evolução do papel estratégico do EHS

Se existe uma área que tem demandado atenção cada vez mais especial por parte da Comunicação Corporativa é a de EHS, que corresponde à sigla em Inglês para “Environment, Health & Safety”. Saiba, nesse texto, como a equipe de Comunicação Interna pode atuar para engajar os colaboradores nos temas de Meio Ambiente, Saúde e Segurança.

 

A velocidade e a amplitude das transformações sociais e ambientais impõem novos desafios às organizações na tratativa desses três pilares, os quais ficaram ainda mais evidenciados com a pandemia causada pela Covid-19.

As áreas de EHS das empresas vêm acompanhando e se adaptando a essas mudanças. Para compreender melhor essa evolução e como passou a ser uma área cada vez mais estratégica para as organizações, conversamos com gestores da Boehringer Ingelheim, cliente do Grupo Trama Reputale no núcleo de Comunicação Interna, e da Siemens, empresa reconhecida no mercado por sua excelência no tema.

 

O EHS na Boehringer Ingelheim

 

A história do departamento de EHS na Boehringer Ingelheim Brasil reflete bem essas transformações que a área vem enfrentando.

Como parte de uma empresa global, que tem como missão desenvolver soluções em saúde humana e animal, a BI sempre esteve atenta ao cumprimento das legislações em segurança do trabalho, saúde e proteção ambiental, como também às boas práticas de gestão e comunicação com suas equipes.

Mas desde 2019, ela entrou para o seleto grupo de grandes empresas internacionais que enxergaram o potencial estratégico de ter uma área especializada em EHS. A filial brasileira centralizou o comando de todas as atividades realizadas em suas fábricas de Paulínia, Itapecerica da Serra e no escritório de sua sede em São Paulo.

 

Visão multidisciplinar e mais próxima

 

Com essa integração, a área foi formalmente estruturada reunindo uma equipe mais especializada e multidisciplinar que passou a ter espaço no comitê executivo, participando das decisões e dos projetos estratégicos da empresa.

Rapidamente os resultados apareceram: a padronização de processos e projetos, a proximidade com os demais setores e o acompanhamento mais efetivo levaram a uma significativa redução das ocorrências e situações de risco no ambiente de trabalho.

Já na área ambiental, ganharam em escala e promoveram o aperfeiçoamento dos programas voltados para a reduções no consumo de água e energia, na produção de CO2 e tratamento adequado de resíduos.

 

“Antes, a maioria das empresas via a atividade como necessária para cumprir somente as legislações vigentes. O foco era a redução de acidentes visando zerar as ocorrências, o que é na verdade algo inatingível. Mas por causa disso, começamos a controlar demais as pessoas, dizendo o que elas podem ou não fazer e como devem trabalhar”, explica Rafael dos Santos, gerente de EHS da BI.

 

Rafael explica que o controle excessivo das pessoas gera efeito reverso e isso tem sido amplamente comprovado em estudos científicos.

 

rafael-santos-blog-trama
Rafael dos Santos, gerente de EHS da BI

 

“Dessa forma, a atuação em EHS vem deixando de ser uma atividade burocrática para ser vista como uma prática ética, para que as empresas realmente cuidem das pessoas e entendam qual é a melhor e mais segura maneira de trabalhar. É nessa jornada de mudança de mentalidade, baseada em dados e estudos mais atuais sobre segurança, que a empresa se encontra hoje”, pontua.

 

 

 

 

 

 

Essa evolução na BI Brasil foi conquistada graças a um conceito-chave que vem permeando toda a empresa: colaboração. Rafael defende a ideia de que a melhor forma de garantir produtividade e segurança é permitir que os funcionários sejam responsáveis pelo próprio trabalho, com autonomia e orientação adequada.

“É mais importante e efetivo perguntar para as pessoas o que elas precisam e ouvi-las, do que apresentar soluções prontas ou atuar após os acidentes e com avaliação de riscos distante da realidade do trabalhador”, conclui.

 

Siemens: impactos no Employer Branding

 

Presente no Brasil há cerca de 150 anos, a Siemens faz parte de um conglomerado global de tecnologia que atua nas áreas de eletrificação, automação e digitalização para as indústrias.

A trajetória da área de EHS começa no fim dos anos 70, com a consolidação e implementação das normas regulamentadoras no país. Desde então, vem passando por diversas mudanças até se tornar, na última década, um departamento central de suporte aos negócios.

Em 2020, a companhia se destacou com as ações para apoiar e proteger os funcionários durante o período da pandemia, em pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Administração e portal UOL com mais de 300 empresas. Ganhou o prêmio “Mais incrível atuação na pandemia” e ficou em 4º lugar na categoria “Mais incrível para trabalhar”, entre as empresas de grande porte.

A Siemens é reconhecida também por seus programas na área ambiental, como o de aceleração da neutralização de carbono em suas operações, que segue o protocolo de gases de efeito estufa, Green House Gases – GHG. Com esse programa, a Siemens já obteve uma redução aproximada de 36% nas emissões de CO2.

Welton Deboni de Souza, head de EHS, destaca também os avanços nas iniciativas de Economia Circular, que incluem o desenvolvimento de novos modelos de negócio, o aprimoramento e o cuidado na gestão da saúde mental dos colaboradores.

 

“Tudo isso sem perder de vista os resultados superiores que temos experimentado quanto à taxa de frequência de acidentes, absenteísmo, programa de observações comportamentais e tantas outras iniciativas que compõem o nosso modelo de gestão atual, além da manutenção de nossos certificados associados ao SES – Sistema de Excelência da Siemens, aos quais compreende a ISO 9001, ISO 45001 e a ISO 14001”, complementou.

 

Para Welton, o desempenho e a capacidade da área constituem um diferencial em toda a indústria porque, hoje, EHS é um valor compartilhado em todos os negócios, é algo intrínseco à maneira como a companhia toma suas decisões e realiza suas operações.

 

Welton-Deboni-Souza-blog-trama
Welton Deboni de Souza, head de EHS da Siemens

 

 

“Participamos de forma ativa e preventiva de todos os grandes fóruns estratégicos da organização para ajudar a construir e definir o presente, assim como para planejar o futuro de nossas atividades e operações”.

 

 

 

 

 

 

Entendeu a importância do EHS? Então, vamos refletir sobre comunicação!

 

Tanto na Boehringer Ingelheim como na Siemens, a Comunicação Interna tem um papel crucial na disseminação da cultura de EHS nas empresas. Informar, esclarecer, motivar e engajar todos os colaboradores, mas, também, coletar sentimentos, humanizar, construir pontes com as demais áreas, atuando sempre de forma estratégica e na inteligência do negócio.

Na BI Brasil, um dos canais mais importantes é o “Diálogo da Segurança”, que é realizado entre os gestores e seus funcionários. A equipe de EHS treinou os gestores em como conduzir conversas com seus times para seus times para entender as práticas do dia-a-dia, praticando a escuta e a empatia. Eles são estimulados a ter essas conversas mensalmente.

 

“Não é uma palestra, nem um monólogo. Estimulamos que todos participem da reflexão e da busca por soluções”, esclarece o gerente da área.

 

Outra iniciativa de comunicação interessante é o Cartão EHS, um canal criado para receber sugestões e críticas dos funcionários, que a equipe tem o compromisso de dar feedback. O canal pode ser acessado por meio de QR-Code no celular e os registros podem ser anônimos ou identificados, de acordo com a decisão de cada um.

Já a Siemens trabalha frequentemente com alinhamentos globais e locais para definir os temas-chave para reforço do posicionamento da empresa. Com a estratégia de EHS e metas definidas, os objetivos de comunicação são traçados para criar sinergias e dar o suporte necessário.

Para a head de Comunicação da Siemens, Ariane Lopez, a comunicação interna tem o papel não apenas de informar mas envolver os funcionários nos temas da companhia, obter respostas e atitudes assertivas, fazendo a ponte com os valores e objetivos da empresa.

Ariane destaca que no tema da pandemia, por exemplo, as áreas de EHS e Comunicação ficaram como pontos focais.

 

“Montamos um Squad especial, com reuniões entre Comunicação e EHS todas as segundas-feiras há mais de um ano. Nessas reuniões, avaliamos necessidades, definimos o público-alvo, qual a estratégia e plano tático, selecionando os canais de comunicação adequados”, contou.

 

Sua equipe criou uma página especial no site da Siemens para reunir informações sobre a Covid-19 que poderiam ser úteis e importantes para os funcionários, clientes, fornecedores e parceiros em geral. Para cada momento ou tema, eles adotam diferentes tons e linguagens, além de adequar as mensagens aos canais e tipos de público.

Outro exemplo é a newsletter “SemSurto!” para tratar sobre saúde mental dos funcionários. Com um tom bem humorado, linguagem informal, ilustrações coloridas e memes, o objetivo da publicação é deixar o tema da pandemia um pouco mais leve.

E quando é para divulgar informações sérias como estatísticas, procedimentos, instruções, vacinas e pesquisas, é utilizada a e-newsletter do EHS, enviada toda quarta-feira, com tradução em inglês, além de vídeos e mensagens da liderança.

 

Narrativa Única, Original, Autêntica e Relevante

 

Além dessas soluções criativas e inovadoras apresentadas pela Boehringer Ingelheim e Siemens, orientamos as empresas e os profissionais de comunicação a investirem na construção de narrativas inteligentes, que conectam os propósitos e os valores das organizações, fazendo sentido para as pessoas e dando um novo significado para o trabalho.

 

 

 

Sobre o autor

Comentários:
Fazer um comentário
Deixe um Comentário