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Comunicação Interna 17.12.2020

Saúde mental: o que o mundo corporativo está fazendo pelo tema?

Você sabia que apenas 18% das empresas no mundo mantêm um programa efetivo para cuidar da saúde mental de seus colaboradores? O animador é que este cenário apresenta pequenas, mas promissoras, mudanças. E para que você possa saber ainda mais sobre o assunto, confira o texto que preparei para conversarmos a respeito.

 

Nove em cada dez brasileiros no mercado de trabalho apresentam sintomas de ansiedade, do grau mais leve ao incapacitante. Metade desse número sofre de algum nível de depressão, recorrente em 14% dos casos.

Os dados são da última pesquisa realizada pela Isma-BR, representante local da International Stress Management Association, organização sem fins lucrativos dedicada ao tema.

 

Excesso de Estímulos

 

Pesquisas ligam os transtornos mentais a diversas fontes e o excesso de estímulos é uma delas. Na era da hiper conectividade e da tecnologia, as pessoas são atingidas por uma avalanche de informações na forma de mensagens instantâneas, e-mails, alertas de compromisso, notícias em tempo real e aplicativos de todos os tipos e gêneros.

O tempo todo somos lembrados do que não fizemos, das tarefas que não cumprimos, das ligações que não atendemos e até mesmo dos e-mails que deixamos de responder ao longo do dia.

Apesar dos dados e dos sinais de alerta, eram raras as empresas que mantinham um programa de saúde psicológica e emocional para seus colaboradores. Isso até agora.

A pandemia do novo Coronavírus chegou e trouxe com ela alguns fatores que não estavam previstos, como o home office, o isolamento social, as incertezas e inseguranças sobre as formas de tratamento da Covid-19, inúmeras adaptações.

Foi assim que a preocupação com a saúde mental se tornou uma das pautas mais discutidas no mundo corporativo nos últimos meses.

 

A Saúde Mental ganhou destaque na agenda das empresas

 

Dois grandes grupos do ramo de bebidas acabam de anunciar ações com esse foco. Após um processo de design thinking, o Grupo Heineken no Brasil desenvolveu a plataforma interna “Heineken Cuida”, que reúne todas as iniciativas de saúde e segurança para os colaboradores a partir de agora, unindo o que já era feito antes da pandemia da Covid-19 e as ações criadas neste período e que serão mantidas posteriormente.

 

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A plataforma atuará em três frentes. O pilar de informação terá pílulas de conteúdo mensais com diversos temas relacionados à saúde e segurança, enquanto o suporte de saúde terá uma equipe corporativa exclusiva da companhia, formada por enfermeiras, psicólogos, psiquiatras e médicos clínicos. Eles farão uma avaliação mais profunda dos colaboradores que solicitarem apoio e os encaminharão para profissionais mais adequados.

Com ilustrações e linguagem leve, os conteúdos da plataforma serão trabalhados em diversos canais de relacionamento com os colaboradores (Workplace, e-mail, jornal mural e TV corporativa) e focarão em alertar sobre as situações que podem colocá-los em risco, sempre focando nas causas dos acidentes e nas formas de prevenção.

 

 

 

 

Organograma Legítimo

 

A Ambev é outra gigante que realizou uma revisão de sua cultura para tratar temas como diversidade e, inclusive, criou uma diretoria para falar de assuntos relacionados aos transtornos mentais.

A executiva Mariana Holanda foi nomeada diretora de Saúde Mental, Diversidade & Inclusão e Bem-Estar da empresa. Segundo ela, quando falamos sobre sustentabilidade, é importante entender que também estamos falando sobre pessoas.

 

“Nesse sentido, estamos vendo uma mudança de mentalidade no mundo corporativo, em que entendemos que é preciso olhar para os funcionários como pessoas em sua totalidade.”

 

Mariana conta que a pandemia acelerou a criação da área, mas a empresa já vinha conversando sobre saúde mental e valores como vulnerabilidade, empatia e escuta ativa, por exemplo. “Existe um estigma muito grande quando se fala em saúde mental nas empresas.

Ela implica em muito mais do que a ausência de doenças. É um assunto profundo, por isso estamos planejando e criando ações para ficar cada vez mais próximos de nossos funcionários e normalizar as conversas sobre o tema.”

Em termos de saúde mental, a diretoria busca dois tipos de vieses para abordar o tema. Primeiro, o acolhimento para apagar o incêndio que todo mundo está vivendo, todas as empresas estão lidando com a instabilidade emocional. Assim, é importante que se crie ferramentas para dar suporte, acima de qualquer coisa.

Aí entra uma segunda nuance: dar conhecimento e promover o aprendizado sobre o tema. As pessoas também precisam de repertório com relação a saúde mental. É uma verdadeira batalha para acabar com o estigma em torno do tema. Concorda?

Então, dar repertório ao empregado para que ele entenda o que é passar por situações de ansiedade, depressão ou burnout e que lidar com isso é tão importante para a saúde quanto cuidar de um resfriado ou uma perna quebrada ajuda muito.

 

Soft Skills – Como ensinar uma pessoa a ser empática?

 

Um outro debate reside em ressignificar o autoconhecimento em termos de alta performance. É extremamente necessário que todos da organização tenham acesso a suas próprias consciências. Antes, não se falava em autoconhecimento, agora as soft skills começaram a bombar.

Mas como eu ensino uma pessoa a ser empática? Primeiramente, é muito relevante que ela entre em contato com a sua vulnerabilidade e exercite seu autoconhecimento.

Para Odaice Formagge Santos, psicóloga psicodramatista, facilitadora em constelação familiar e parceira da Trama Comunicação, as empresas que desenvolverem um olhar mais aprofundados sobre essas habilidades emocionais conseguirão se projetar rumo ao futuro.

 

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Odaice Formagge Santos – Psicóloga

 

“O que eu vi desde o começo da quarentena é que muitas empresas começaram a se mobilizar e investir, de fato, em pessoas. E o que eu acho muito importante nesse processo é que as organizações estão conseguindo olhar para cada colaborador não só como um funcionário que precisa se qualificar ainda mais em habilidades técnicas, mas sim de forma mais abrangente, totalitária,  humana. As companhias que estão investindo em saúde mental vão ganhar – e muito – lá na frente. Digo isso porque já é previsto que, quando a pandemia acabar, as doenças surgirão de forma ainda mais acentuada. Vale ficar de olho”, diz Odaice.

 

 

 

 

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