O engajamento organizacional – e a Comunicação Interna – atravessam um momento desafiador. Segundo pesquisa recente da Gallup, a taxa global de profissionais engajados caiu de 23% para 21% em 2024.
Esse movimento é reflexo de múltiplos fatores: os impactos da pandemia e a consolidação do modelo híbrido de trabalho, o avanço da inteligência artificial, cortes de orçamento, novas pressões do mercado, a busca por experiências de trabalho mais humanizadas e a convivência de diferentes gerações com expectativas distintas – da estabilidade valorizada pelos boomers ao forte apelo pelo bem-estar defendido pela geração Z.
Essas transformações impactam diretamente a cultura organizacional e elevam riscos de turnover. Sobrecarga, estresse, queda de motivação e falta de conexão com a empresa tornam ainda mais urgente a criação de práticas que sustentem vínculos reais, mesmo em um ambiente de colaboração distribuída entre o presencial e o remoto.
Engajamento híbrido e remoto: diferenças, sinergias e impacto na cultura
No modelo híbrido, a comunicação e os vínculos se constroem a partir de uma combinação entre interações presenciais e plataformas digitais, aproveitando o “olho no olho” para reforçar confiança e clareza.
Já no remoto, quando equipes estão espalhadas por diferentes cidades, estados ou até países, o engajamento depende quase exclusivamente da consistência e da clareza dos canais digitais, o que exige maior disciplina para que as relações não caiam no automático.
Em ambos os casos, a qualidade da comunicação, especialmente a proximidade com a liderança direta, impacta diretamente o employee experience. Quando bem estruturados, esses modelos não apenas sustentam a produtividade, mas também preservam a coerência cultural em contextos de alta complexidade.
O triângulo do engajamento híbrido
Três pilares formam a base para sustentar a jornada do colaborador em ambientes distribuídos:
Conexão humana: construída por rituais consistentes – reuniões, celebrações, espaços de escuta – que mantêm vínculos e traduzem valores da cultura em práticas cotidianas.
Aqui na agência, por exemplo, o ritual “Bom Dia, Trama” reúne semanalmente todos os colaboradores desde a pandemia, servindo como espaço de integração, troca de experiências e acolhimento, fortalecendo a cultura organizacional híbrida.
Acesso à informação: garante que todos, independentemente de onde atuam, tenham canais confiáveis e dinâmicos para receber e compartilhar conteúdo.
Além de ferramentas tradicionais, como e-mail marketing, intranet, murais físicos e WhatsApp, algumas empresas experimentam formatos inovadores – como nosso cliente Hcor, que utiliza um perfil fechado no Instagram exclusivo para colaboradores, funcionando como uma rede social corporativa já inserida no cotidiano.
Mensuração contínua: converte dados em inteligência, permitindo ajustar formatos, calibrar mensagens e identificar lacunas de engajamento.
Pesquisas de clima e diagnósticos de comunicação interna, por exemplo, oferecem insumos estratégicos para refinar práticas e garantir evolução constante.
Esses pilares se retroalimentam: rituais fortalecem vínculos, canais ampliam alcance e indicadores de engajamento orientam ajustes.
Como implantar e medir rituais híbridos na prática
A implantação de rituais híbridos eficazes começa pelo diagnóstico: entender a realidade da equipe, suas necessidades de interação e os pontos de atrito entre presencial e remoto.
A partir daí, é possível:
Definir rituais com propósito: encontros com objetivos claros, frequência e tom adequados (celebratório, informativo, colaborativo).
Garantir a presença de líderes: a participação ativa dos gestores legitima os rituais e reforça a cultura pelo exemplo.
Escolher ferramentas e canais adequados: equilibrar praticidade, alcance e inclusão, sem sobrecarregar as equipes com plataformas excessivas.
Mensurar o que importa: olhar além do alcance e avaliar participação ativa, qualidade do feedback e percepção de pertencimento.
Mais do que medir, é preciso interpretar os dados como sinais de vitalidade cultural. Queda de participação pode indicar excesso de rituais; comentários superficiais podem revelar falta de conexão; já pulsos de engajamento ajudam a validar se os encontros estão, de fato, fortalecendo vínculos.
Erros comuns e como evitá-los
Mesmo com boa intenção, alguns erros comprometem a efetividade do engajamento híbrido e do engajamento remoto:
Excesso de reuniões online sem pauta clara → fadiga digital e desengajamento.
Como evitar: desenhar encontros objetivos, com tempo respeitado.
Dependência exclusiva de canais digitais complexos → exclusão de colaboradores da operação off-line.
Como evitar: diversificar meios e simplificar o acesso à informação, inclusive, identificar oportunidade de ativações.
Mensurar apenas alcance → perder de vista a qualidade do diálogo e das percepções.
Como evitar: complementar com métricas de profundidade, feedback e percepção cultural.
Não acompanhar indicadores ao longo do tempo → dados sem ação.
Como evitar: criar rotinas de leitura e retroalimentação, ajustando rituais com base nos sinais do time.
Próximos passos e papel de parceiros especializados
Algumas etapas da jornada exigem a visão de parceiros externos para acelerar resultados, seja em uma comunicação interna híbrida ou totalmente remota.
E o Grupo Trama Reputale pode apoiar sua empresa com:
Diagnóstico de Comunicação Interna: mapeando fluxos, ruídos e oportunidades de melhoria.
Aqui entram pesquisas, entrevistas, focus group e outros métodos. Ao final, são gerados insumos concretos para estruturar estratégias como o Ecossistema de Canais, que organiza como os meios de comunicação se complementam e desempenham funções distintas de acordo com o público e o conteúdo. Esse conceito também apoia as áreas internas na escolha mais assertiva de cada canal.
Design da Narrativa®: alinhando propósito, mensagens-chave e tom de voz da organização.
Metodologia exclusiva da Trama-Reputale, o Design da Narrativa® propõe uma abordagem colaborativa, orientada pela empatia, para transformar valores e identidade em mensagens mobilizadoras.
O processo envolve cocriação com públicos internos, aplicação de ferramentas como persona interna, SWOT de imagem e pilares narrativos, além de workshops que dão vida a uma comunicação mais consistente, coerente e engajadora.
Alinhando propósito, pessoas e cultura
O desafio do engajamento híbrido não está em adotar novos canais ou multiplicar reuniões, mas em criar experiências que façam sentido para as pessoas e sustentem a cultura no longo prazo. Rituais bem desenhados, líderes presentes, canais acessíveis e métricas interpretadas com inteligência formam a base de um modelo híbrido de trabalho mais humano, produtivo e resiliente.
Para RH e Comunicação, o próximo passo é evoluir do “fazer para engajar” para o “estruturar para engajar”, transformando práticas pontuais em um sistema vivo de conexão e pertencimento. Assim, independentemente de onde cada colaborador esteja, todos caminham alinhados em torno de um mesmo propósito.


