A comunicação a serviço das startups


Um estudo inédito, desenvolvido pela diretora e sócia-fundadora da Trama Comunicação, Leila Gasparindo, foi o tema central da reportagem veiculada no Jornal O Estado de S. Paulo, em 2 de junho. Na matéria, a jornalista Cris Olivette aborda com propriedade o cenário das startups no Brasil e como as estratégias de comunicação integrada podem auxiliar o desenvolvimento de projetos inovadores nesse ambiente, compartilhando práticas bem sucedidas de gestão e modelos de negócios que inspiram.

Confira a reportagem na íntegra, logo abaixo, compartilhe com os amigos e envie seus comentário para nós: trama@tramaweb.com.br.

Vale lembrar que a Trama é a agência responsável, há quase 10 anos, pelas estratégias de comunicação do Cietec – o maior centro de empreendedorismo, inovação e tecnologia da América Latina, localizado no campus da USP. Além disso, também desenvolve estratégias de RP e comunicação integrada para o Porto Digital, instituição com o mesmo foco do Cietec, localizada em Recife (PE) e com grande expertise nas áreas de TI e Telecom. Ou seja, pensou em inovação e tecnologia, pensou Trama!

O ESTADO DE SÃO PAULO

DOMINGO, 2 DE JUNHO DE 2013

INTEGRAÇÃO DE STARTUPS ESTIMULA A INOVAÇÃO

Pesquisa mostra que dividir experiências ajuda a desenvolver negócios incubados

Cris Olivette

Pela primeira vez, uma empresa brasileira conseguiu desenvolver a substância olanzapina, usada na produção de medicamentos para esquizofrenia. “O produto nacional está chegando ao mercado e vai contribuir para reduzir o preço dos remédios, considerados de alto custo”, afirma o pesquisador chefe da Apha BR, Willian Carnicelli.

Além deste produto, a Alpha BR já comercializa outros sete medicamentos e tem dois em desenvolvimento. O que poucos sabem, porém, é que as pesquisas da empresa foram desenvolvidas dentro do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec). Instalada dentro da Cidade Universitária, a incubadora de startups abriga 130 empresas nascentes.

Foi justamente esse cenário repleto de projetos inovadores que a pesquisadora Leila Gasparindo, especialista em gestão de comunicação organizacional e relações públicas, escolheu como objeto de estudo. “Eu queria saber com que intensidade os relacionamentos existentes dentro de uma incubadora ajudam no desenvolvimento das startups”,afirma.

Leila conta que seu estudo foi o primeiro realizado no País que ouviu empresas incubadas. “Quis saber na prática como funcionava esses relacionamentos. Mandei o questionário para as 130 empresas do Cietec e obtive retorno de 88. Na segunda fase, fiz pesquisa de profundidade com nove empresas.”

Segundo Leila, o resultado indica que os incubados reconhecem esse ambiente propício para networking, o que eles não teriam fora. “Eles afirmam que o relacionamento com o público interno é muito rico e destacaram o acesso aos laboratórios, o relacionamento com os investidores e o acesso às agências de fomento.”

Cruzando seu resultado com dados teóricos, Leila concluiu que esses relacionamentos estão enquadrados no que o teórico de relações públicas James E. Grunig chama de relacionamento compartilhado.

“Para Grunig, relacionamento compartilhado é aquele que não necessariamente tem como troca o dinheiro. Ele busca algo a mais, que seria o bem comum para os dois lados. O meu estudo comprova que essa prática está presente nos relacionamentos dentro da incubadora.”

Leila diz que hoje, no entanto, a política de apoio das incubadoras oferece, basicamente, o serviço de marketing. “O estudo propõe uma revisão disso e a inclusão da visão de um profissional de relações públicas para identificar e conduzir parcerias, acordos e relacionamentos colaborativos. Quando a empresa está nascendo, não é o momento de investir em marketing, pelo contrário. Ela precisa receber investimento.”

Diante dessas conclusões, o diretor executivo do Cietec, Sergio Risola, afirma que o estudo ajudou a identificar percepções que não estavam tão claras. “Conseguimos detectar algumas correções de rumo que iremos implementar.”

O pesquisador da Alpha BR confirma os resultados da pesquisa. “ Estar no Cietec é muito bom porque contamos com a infraestrutura do centro e dos laboratórios do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), além de parceiros para alguns projetos”, conta.

Para Samy Menasce, a Brasil Ozônio não existiria se não tivesse sido incubada. “Destaco  três motivos fundamentais: a credibilidade do Cietec e da USP, a consultoria de profissionais de alto nível e o acesso às linhas de fomento.”

Menasce conta que a Brasil Ozônio desenvolveu o sistema BRO3, que utiliza o ozônio para remover carga microbiana de frutas e de verduras e também o nível tóxico de compostos orgânicos e de metais pesados presentes na água.

“Aqui compartilhamos espaço com mais de cem empresas, é um ambiente repleto de pessoas com vontade de aprender e de trocar”, diz o CEO da Eccaplan, empresa que presta consultoria na área de sustentabilidade, Fernando Beltrame.

Segundo ele, o principal produto da Eccaplan é o “Evento Neutro”, que quantifica e compensa o impacto ambiental de grandes eventos. “Já fizemos o show do Elton John, The Cure, Robert Plant, entre outros.”

Para Luis Otávio Lamardo Alves Silva, sócio da MVisa, que oferece soluções para automação de processos e controle de qualidade por meio de máquinas com visão computacional e inteligência artificial, estar em um centro como o Cietec é uma experiência fantástica.

“Sempre encontramos pessoas que acrescentam alguma coisa ao projeto. Ou trocamos experiências sobre como funciona o padrão de mercado, indicação de fornecedores e até mesmo sobre como montar o nosso primeiro contrato.”

RESULTADO

  • 51,3% das empresas apontaram as parcerias realizadas com empresas da própria incubadora como resultado dos relacionamentos compartilhados
  • 41,3% dos entrevistados indicaram contatos com investidores
  • 30% deles afirmaram que houve geração de negócios e acesso aos laboratórios de pesquisa
  • 28,8% dos empreendedores indicaram a aproximação com grandes veículos de comunicação

ENTREVISTA

Maria Aparecida Ferrari, professora e pesquisadora dos programas de pós-graduação e graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo

‘Comunicação legítima novos modelos de empresa’

- O que são relacionamentos compartilhados?

Nas organizações, os relacionamentos podem ser classificados de acordo com as partes a que se referem, como as que se ligam a setores institucionais, governamentais, aos investidores, clientes e fornecedores. Já o relacionamento compartilhado significa que ambos os lados trazem benefícios um ao outro, porque cada um está preocupado com o bem-estar do outro.

Que contribuição traz o estudo sobre relacionamentos compartilhados entre startups?

Ele permite apontar que, se de um lado as startups são novos modelos de empresas, por outro, elas precisam contar com um processo de comunicação que permita sua legitimidade no mercado e na sociedade. O ambiente e a capacidade de construir relacionamentos compartilhados são variáveis que ajudam a inovação. Pesquisam apontam que modelos de negócios inovadores podem ser alterados durante o processo de desenvolvimento do produto e decorrência de informações que surgem. Nesse sentido, o profissional de relações públicas, exerce uma atividade de consultoria de gestão de relacionamentos, essencial para ajudar nos processos de mudanças gerados pela inovação.

Qual é o papel de um profissional de relações públicas no ambiente de inovação?

Ele deve assumir o papel de “analista de cenários” cuja função é preparar a empresa para o enfrentamento de inúmeros desafios que podem atingi-la. Deve identificar um conjunto de pontos fortes e pontos fracos, de ameaças e oportunidades, e propor soluções estratégicas, objetivos e metas de comunicação coerentes com as metas e objetivos da empresa. Cada vez mais o papel de “analista de cenários” é a chave para que a comunicação seja estimulada pela direção da empresa sendo possível, dessa forma, demonstrar o valor tangível que esse processo Pode agregar aos negócios. Mas, esse papel de ser cumprido quando o profissional tem conhecimento profundo da intrincada rede de relacionamentos que compõe o sistema organização/públicos, e conta com o apoio total da alta direção da empresa.

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